O Canto da Saudade, de Humberto Mauro
Vetores Cine Rivello
A Rainha Diaba, de Antônio Carlos da Fontoura
Vetores Cine Rivello
A Próxima Vítima, de João Batista Andrade
Vetores Cine Rivello
Mulheres no Front, de Eduardo Coutinho
Vetores Cine Rivello
Boca de Lixo, de Eduardo Coutinho
Vetores Cine Rivello
Vida de Menina, de Helena Solberg
Vetores Cine Rivello
Arabia, de Affonso Uchoa e João Dumans
Vetores Cine Rivello
 

CURADORIA

Vetores Cine Rivello

Quando entrei pela primeira vez no Cine Rivello, senti como se estivesse invadindo a intimidade daquele espaço sexagenário. Na porta da frente existiam tapumes pregados grosseiramente naquela que era a porta de entrada do cinema. Quilos e mais quilos de uma poeira preta e espessa. Quanto mais adentrava o espaço e percebia o resultado físico de anos de abandono, maior era a sensação de que aquele cinema parecia ter passado bem esses anos sem filme e sem gente, sem a gente.

 

Ratos, poeira, ácaros, ovos quebrados, talvez de pombos, ou de andorinhas e pardais. A vida habitou o cinema sem os filmes. A vida se fez dentro do Rivello sem ninguém. Só com os ácaros, os pombos, os pardais e o pó. Eis aí meu encanto ao entrar pela primeira vez naquele lugar: percebi que o cinema existiu sem a presença do homem, sem os filmes feitos pelos homens.

 

Peço, então, licença à comunidade de seres - os vivos e os mortos - que habitam esta sala maravilhosa de mil e cem lugares para anunciar ao povo de Sete Lagoas a Mostra Cine Rivello:

 

Serão sete filmes a percorrerem pelos sessenta anos tradicional cinema de Sete Lagoas-MG,  desde a primeira sessão, em 1958, até a exibição derradeira, em 2005. Obras fundadas na representação do Brasil popular em vários gêneros: filme de máfia, thriller, caipira, histórico, lírico-cósmico-poético, e até filme contemporâneo.

 

A mostra também contará com a palestra do Professor adjunto de História do Cinema Brasileiro da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual / LUPA-UFF, Rafael De Luna, sobre a história das salas de Cinema no Brasil, além de uma mesa de debate sobre gestão e curadoria de salas de cinema com Leonardo Bonfim, da Cinemateca do Capitólio, de Porto Alegre, e Fabrício Cordeiro, programador do Cine Cultura de Goiânia.

 

Viva o Cine Rivello e ótimas sessões! 

 

Samuel Marotta.

QUEM SOMOS

No dia 3 de setembro de 1958 acendiam-se pela primeira vez para o público de Sete Lagoas as luzes do imponente cinema de 1200 lugares, o Cine Rivello. O filme de inauguração foi O Céu Por Testemunha, de John Huston, obra importante da cinematografia clássica americana que narra a trajetória de um soldado perturbado pelo ataque japonês à base americana de Pearl Harbor. Após a sessão de estreia foram quase 50 anos de sessões de filmes do mundo inteiro, de todos os gêneros, formas e temas, atravessando as décadas de 1950, 1960, 1970, 1980, 1990 e 2000.


Recentemente, por uma ação conjunta e capitaneada pelo arquiteto Wanderson Ferreira, o Cine Rivello passou pelo processo de tombamento, abrindo assim, a possibilidade de uma volta às atividades. A Mostra Cine Rivello é concebida neste contexto: uma homenagem justa a este espaço cultural tão querido e importante para a história de Sete Lagoas, a incorporar também parte da história do Cinema Brasileiro à partir de filmes fundados na representação do Brasil popular. 

A mostra também contará com a palestra do Professor adjunto de História do Cinema Brasileiro da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual / LUPA-UFF, Rafael De Luna, sobre a história das salas de Cinema no Brasil, além de uma mesa de debate sobre gestão e curadoria de salas de cinema com Leonardo Bonfim, da Cinemateca do Capitólio, de Porto Alegre, e Fabrício Cordeiro, programador do Cine Cultura de Goiânia.

 
 

EVENTOS

THUMBNAIL-YOUTUBE-E-SITE-EVENTOS-MOSTRA-
ABERTURA

Cerimônia de Abertura

Revelação do Filme Surpresa

com

Alberto Camisassa, Bruna Bizzotto, 

Eduardo Guerra, Gabriel Ferrari,

Giovanni Ferrari, Giselle Ferrari, 

Samuel Marotta, Wanderson Ferreira

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PALESTRA

Panorama Histórico da Exibição Cinematográfica no Brasil

com

Rafael de Luna

THUMBNAIL-YOUTUBE-E-SITE-EVENTOS-MOSTRA-
DEBATE

Gestão e Curadoria de Salas de Cinema

com

Leonardo Bonfim e Fabrício Cordeiro

mediação

Samuel Marotta

 

PROJETO RIVELLO

O restauro e revitalização do espaço ganha uma perspectiva altamente viável, o que permite vislumbrar uma nova fase para a cultura local. O Complexo Cultural Rivello suprirá a demanda da cidade por uma casa de espetáculos digna que abrigará a produção artística local, recebendo apresentações de teatro, música, dança, cinema dentre outras, dando oportunidade de acesso à população sete-lagoana em grandes produções culturais. O Complexo de Economia Criativa prevê a implantação de um cineteatro, a criação de um espaço de coworking cultural, sala de exposições, além de abrigar um bar-café em sua cobertura. Temos uma grande expectativa que as obras sejam viabilizadas com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet) e executada por profissionais da própria cidade, como forma de geração de emprego e renda para a comunidade local. Durante as obras, serão desenvolvidas exposições temáticas, visitas guiadas, canteiro escola de restauro, além de palestras e workshops sobre Economia Criativa, envolvendo toda a comunidade no empreendimento cultural.

FICHA TÉCNICA


ARQUITETURA:

Wanderson Ferreira

Anderson Chagas

 

DOSSIDÊ DE TOMBAMENTO:
Marcus Paullus G. Passos
Márcio Vicente Silveira Santos
Wanderson Ferreira

 

LAUDO TÉCNICO DO ESTADO DE CONSERVAÇÃO DO IMÓVEL:
Marcus Paullus G. Passos
Wanderson Ferreira

 

CONSULTORIA:

Pedro Pederneiras

(mecânica e iluminação cênica)
 

Marco Antônio Vecci

(acústica)
 

Amacedo Engenharia

(levantamento arquitetônico e prevenção e combate à incêndio)
 

Eduardo Guerra

(gestão e planejamento físico financeiro)
 

Duarte de Paula

(assessoria jurídica)

 

ASSESSORIA NOS PROJETOS CULTURAIS DE LEIS DE INCENTIVO:

Alberto Camisassa

Bruna Bizzotto
Eduardo Guerra
Samuel Marotta

Wanderson Ferreira

créditos das fotografias: Letícia Marotta

Vetores Cine Rivello
 

PROGRAMAÇÃO

O CANTO DA SAUDADE

dirigido por Humberto Mauro (BRA, 1952) | 100’ | LIVRE

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ANOS
50

 

Sinopse:

O filme conta a história da filha do Coronel Januário, Maria Fausta, que tem um romance secreto com João do Carmo. O casal desaparece durante a campanha para prefeito do pai de Maria.

O Canto da Saudade, de Humberto Mauro

    FILME EXIBIDO DE 28 DE MAIO A 02 DE JUNHO DE 2021    

TRISTEZA DO JECA

dirigido por Amácio Mazzaropi (BRA, 1961) | 95’ | LIVRE

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ANOS
60

 

Sinopse:

Um caipira simples, mas muito popular chamado Jeca, é forçado a se envolver em política quando os líderes da região disputam o cargo de prefeito da cidade.

Tristeza do Jeca, de Amácio Mazzaropi

    FILME EXIBIDO DE 01  A 02 DE JUNHO DE 2021    

A RAINHA DIABA

dirigido por Antônio Carlos da Fontoura (BRA, 1974) | 100’ | 18 ANOS

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ANOS
70

 

Sinopse:

Apelidado Diaba, uma das figuras mais icônicas da Lapa, região boêmia do Rio de Janeiro, um sujeito precisa encontrar um bode expiatório para salvar o namorado da polícia.

A Rainha Diaba, de Antônio Carlos da Fontoura

    FILME EXIBIDO DE 28 DE MAIO A 02 DE JUNHO DE 2021    

A PRÓXIMA VÍTIMA

dirigido por João Batista Andrade (BRA, 1983) | 93’ | 18 ANOS

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ANOS
80

 

Sinopse:

Passado em São Paulo, in loco nas eleições para governador de 1982, as primeiras depois da anistia, "A Próxima Vítima" traz um recado óbvio: por mais que se faça, que se vote, nada vai mudar.

A Próxima Vítima, de João Batista Andrade

    FILME EXIBIDO DE 28 DE MAIO A 02 DE JUNHO DE 2021    

MULHERES NO FRONT

dirigido por Eduardo Coutinho (BRA, 1996) | 35’ | 16 ANOS

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ANOS
90

Sinopse:

Três exemplos de forte atuação feminina em movimentos sociais: a Associação de Moradores de Jardim Uchôa, em Recife; a Associação de Moradores de Rancho Fundo, no Rio de Janeiro; e o grupo Promotoras Legais Populares em Bom Jesus, Porto Alegre

Mulheres no Front, de Eduardo Coutinho

    FILME EXIBIDO DE 28 DE MAIO A 02 DE JUNHO DE 2021    

BOCA DE LIXO

dirigido por Eduardo Coutinho (BRA, 1992) | 50’ | 14 ANOS

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ANOS
90

Sinopse:

O cotidiano dos catadores de lixo do vazadouro de Itaoca, em São Gonçalo, a 40 km do Centro do Rio de Janeiro. O lixo como trabalho e como estigma. O roubo da imagem alheia, pecado original de todo documentário.

Boca de Lixo, de Eduardo Coutinho

    FILME EXIBIDO DE 28 DE MAIO A 02 DE JUNHO DE 2021    

VIDA DE MENINA

dirigido por Helena Solberg | (BRA, 2003) | 101’ | LIVRE

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ANOS
00

Sinopse:

Pouco após a abolição da escravatura e a proclamação da República no Brasil, Helena começa a escrever um diário, que revela seu universo e um país adolescente como ela. Neste diário, a menina debocha e desmascara as pretensas virtudes alheias.

Vida de Menina, de Helena Solberg

    FILME EXIBIDO DE 28 DE MAIO A 02 DE JUNHO DE 2021    

ARÁBIA

dirigido por Affonso Uchoa e João Dumans  (BRA, 2018) | 97’ | 16 ANOS

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SESSÃO
ESPECIAL

 

Sinopse:

Em uma fábrica de alumínio em Ouro Preto, Minas Gerais, jovem encontra o diário de um trabalhador que sofreu um acidente.

Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans

    FILME EXIBIDO DE 28 DE MAIO A 02 DE JUNHO DE 2021    

 
 
 
 
 
 
 

SOBRE A LAB

A Lei Aldir Blanc reconhece a diversidade, estabelece impacto financeiro determinado de R$ 3 bilhões e aponta fontes vinculadas, como o superávit do Fundo Nacional de Cultura até dezembro de 2019.

Seu texto final é fruto de uma ampla pactuação que envolveu o Fórum de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, Confederação Nacional de Municípios, Frente Nacional de Prefeitos, conselhos estaduais e municipais, além dos mais diversos segmentos artísticos e culturais. Como relatora do projeto na Câmara, pudemos acompanhar a mobilização pela lei em todo o país, centenas de pessoas que participaram de reuniões virtuais para debater e contribuir com a iniciativa.

E com essa rara unidade e convergência entre governo e oposição, em um contexto de extrema polarização política e social, a Lei Aldir Blanc demonstra que a cultura brasileira, talvez por falar à alma e a sensibilidade coletiva, tem a capacidade de produzir unidades e consensos. “Não há abismo em que o Brasil caiba”, ecoam as palavras sempre proféticas de Jorge Mautner. E a arte e a cultura tem o papel fundamental na superação dos abismos, na cura das feridas e na recomposição do tecido social brasileiro. A esperança equilibrista há de prevalecer. Viva Aldir Blanc!

 

Texto de Jandira Feghali para Folha de São Paulo*